terça-feira, 15 de março de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Desvio o olhar e a tinta me escapa
Desvio o olhar
Tomada pela espera,
Cuja desventura da aproximação chega.
Então, chegado é o som do silêncio.
Silêncio contido pelo ardente
desejo de materializar as breves e longas:
as memórias.
Apreciadas não tal como uma fotografia, além.
Não é tão somente o que o olhar captura,
A captura se dá no que o lugar revela.
Mistura de prazer, ânsia e depuração.
Prazer de realizar e contemplar
E de estar à margem do portal.
Ânsia de entrar, vasculhar e
Materializar o secreto.
Depurar cada espaço do
Desenho a céu aberto,
Observando a tinta e seus afluentes
Corromperem a trama têxtil.
Posso não estar mais no lugar portal.
Mas, a tinta em seus afluentes permanece a correr pela trama.
Na verdade, não corre,
Ela percorre o caminho lentamente.
Não posso afirmar o total controle dela,
Com persuasão tátil a conduzo
Mas vejo algo dela que escapa a minha indução.
Isso é bom.
(Priscila Sabka Thomassen, fevereiro de 2011)
Memórias
s/ título [1], 20 cm x 20cm, acrílica s/ tela
s/ título [2], 20 cm x 20cm, acrílica s/ tela
s/ título [3], 20 cm x 20cm, acrílica s/ tela
O caminho tá pronto?
Caminho se faz.
Faz o caminho.
Percorre a jornada.
Jornada à margem do mar.
Família prossegue e
Brinca, praticando o convívio de estar com quem te quer bem.
Textura boa são os grãos de areia.
Pés na água gelada.
É verão, mas a água é fria.
O calcanha dói...
É só areia, areia e areia.
Boa é esta areia.
Pra onde vamos?
Por quê não chega nunca?
Calma. Tá pronto seu lobo?
Não, tô acordando;
Tá pronto seu lobo?
Não, tô tomando café;
Tá pronto seu lobo?
Não, tô escovando os dentes;
Tá pronto seu lobo?
Sim.
Corre, corre, corre.
Chegamos. Aonde?
Num lugar que vale a pena estar.
(Reflexões no tempo do Não-Lugar por Pris Thomassen, 15/05/2010)
Decomposição
Podridão: tronco mofado levado
pela correnteza do mar.
Entorce e torce o nariz.
Fede o corpo em decomposição,
estrangulando o último devires.
Espalha a carniça. Quando é que digo:
o sangue está vencido?
O corpo está morto.
Cemitério de troncos jazidos à companhia dos bagres.
Rompe a noite e a maré recolhe os corpos.
(Reflexões no tempo do Não-Lugar por Pris Thomassen, 03/07/2010)
domingo, 12 de dezembro de 2010
Respostas de Rilke
Há duas semanas comecei a ler o livro que contêm as cartas de Rilke, poeta nascido em Praga (1875-1926), endereçadas a um jovem poeta. Me identifiquei com as indagações do jovem e, silenciosamente fiquei acalentada e pensativa com as respostas do poeta experiente, sensível e conselheiro. Segue abaixo um trecho da primeira carta:
"Utilize, para se exprimir, as coisas do seu ambiente, as imagens dos seus sonhos e os objetos de sua lembrança. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair as suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela. Procure soerguer as sensações submersas deste longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre o lusco e fusco diante do qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. Se depois desta volta para dentro, deste ensimesmar-se, brotarem versos, não mais pensará em perguntar seja a quem for se são bons. Nem tão pouco tentará interessar as revistas por esses seus trabalhos, pois há de ver neles sua querida propriedade natural, um pedaço e uma voz de sua vida. Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, — o único existente. Também, meu prezado Senhor, não lhe posso dar outro conselho fora deste: entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra sua vida; na fonte desta é que encontrará resposta à questão de saber se deve criar. Aceite-a tal como se lhe apresentar à primeira vista sem procurar interpretá-la. Talvez venha significar que o senhor é chamado a ser um artista. Nesse caso aceite o destino e carregue-o com seu peso e a sua grandeza, sem nunca se preocupar com recompensa que possa vir de fora."
Texto extraído do livro "Cartas a um jovem poeta" de Rainer Maria Rilke, tradução de Paulo Rónai, Editora Globo – Rio de Janeiro, 1995.
Pris Thomassen
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Horizonte Registrado -
O lugar se localiza nas imediações da Praia do Barco e Capão Novo, no litoral gaúcho. Na faixa das dunas de areia onde corre o olhar, há uma única árvore (naquelas imediações), uma árvore de pinus elliotti, presente no litoral gaúcho.
Estando diante da árvore, temos a nossa frente o mar, em nossas costas montanhas, à direita e esquerda uma imensidão de dunas de areia formando uma linha branca tênue. É um lugar excêntrico, único. Um espaço qualquer para poucos que por ali passam.
Para olhares desatentos tal lugar é inexistente, mas para olhares atentos, um lugar de sintonia, que lhe presenteia com calmos estímulos visuais. Campo de exploração da sensibilidade, caminhos, pensamentos e diálogos criados e registrados na memória. Registros particulares, portanto não mencionáveis, apenas vinculados ao registro do local e habitante. Eu habitante.
Os Registros
Lembranças do momento de descoberta do local não existem, não há lembranças.
As caminhadas a beira mar, no inicio da manhã ou no final da tarde era o lugar e o momento de inicio dos registros. Ao descobrir o lugar por intermédio de alguem especial, passei a habitá-lo com frequência. Com o horizonte de companhia percorria o trajeto até chegar ao “refugio” da árvore.
Já no local, ao lançar o olhar, ouvia-se apenas o som dos ventos e o quebrar das ondas, fazendo surgir alguns tipos de registros como pensamentos.
Registros de apropriação do habitante naquele momento e após se tratam de manifestos de lembranças destes registros. Se proferidos, se trataria de registros narrados. Produções em desenhos passam a ser uma forma de visualização, ou seja, registros visuais. Toda a forma de expressão, sendo ela pensada, delineada, fotografada ou narrada, é exposta aqui como registro.
A função do registro é fazer o lugar ser um ponto de partida de memórias passadas. Retroceder a tempos, vivência, valores de outrora. Manter intacto um local e poder voltar para retomar registros e construir novos. É de certa forma estar próximo do lugar mesmo estando longe, é ter livre acesso. “Reconfortamo-nos ao reviver lembranças de proteção” (BACHELARD, 2003).
O espaço descrito aqui existe visivelmente, lugar concreto, horizonte longínquo, ruídos próximos e infindáveis. Mas é também imaginário em relação a sua função do lugar com quem habita. Função de devaneio e relativo às memórias.
A reconstrução deste horizonte e espaço fixo me permitiu construir novas condições de reflexão e produção. A fotografia é fonte de registro que funde com a produção gráfica permitindo novas experiências e futuros registros.
Conforme Derdyk a “vivência é a fonte do crescimento, o alicerce da construção de nossa entidade, fornece um leque de repertório, amplia a possibilidade expressiva” (DERDYK, 2003, p.11)
Trechos e fragmentos "Passaporte para Infância - Processos e percursos em direção ao imaginário"
Por Cíntia R.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Arte - bastidores do processo
Praia do Barco
Reflexões - memórias provocadas, contidas e referidas
Serenidade ao estar no cenário das muitas narrativas
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| Estesia ao extrair pictoriamente o lugar- por Cíntia R. |
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| Estesia ao extrair pictoriamente o lugar- por Pris Thomassen |
Praia do Sol
| Contemplação da criação divina |
Intervenção humana
Estesia ao extrair pictoriamente o lugar- por Pris Thomassen
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
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